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Por Lustosa em 24/12/2009 às 14:01

Venho trabalhando em um projeto de envio de emails em massa, e como passei por muitos problemas para conseguir melhorar a taxa de entrega dos emails, queria compartilhar algumas dicas.
Antes de mais nada, quero deixar bem claro: sou totalmente contra o SPAM. Por mim, podiam condenar cada spammer do mundo a uma morte bem lenta e dolorosa prisão. Hoje em dia, spam é um problema mundial, e boa parte dos problemas que precisamos enfrentar só existe porque existe spam. Por exemplo, não precisaríamos ficar nos preocupando em criar emails tomando todo tipo de cuidado com palavras e marcações se não existissem filtros antispam.
Porem, assim como spammers fazem envio de email em massa (usando técnicas muitas vezes inescrupulosas), existem empresas que tem a necessidade legítima de fazer envio de emails em massa. Por exemplo, assinantes de um site podem querer receber uma newsletter semanal, ou um email com promoções de uma loja online. São usos aceitáveis, e a grande diferença entre email marketing e spam é que no primeiro caso houve o consentimento do usuário em receber o email.
Enfim… agora que já deixei claro que esse artigo não tem a intenção de ajudar spammers, vamos aos pontos.

IPs usados no envio

Tente fazer os seus envios usando poucos endereços IPs, e que sejam consistentes. Se os seus emails estão saindo de vários IPs de redes diferentes, os servidores de destino podem achar que seu sistema está falsificando os IPs de envio, ou usando alguma rede para fazer o envio (botnets, por exemplo). Com isso, sua chance de ter o email marcado como spam aumenta bastante.
Se você se limita a fazer o envio a partir de um único IP, ou poucos IPs, não vai sofrer com esse tipo de problema. Além disso, os provedores agora trabalham com o conceito de “reputação” de um IP. Ou seja, se você envia emails consistentemente através de um IP, e esses emails tem taxa de reclamação baixa, a tendência é que a reputação suba.

DNS reverso

O sistema de DNS serve para traduzir nomes para IPs. Por exemplo, quando digita “www.ataraxia.com.br” no seu navegador, ele é traduzido para um endereço IP (no momento em que escrevo, 75.119.213.142). Hoje em dia, o DNS é essencial para o funcionamento da Internet.
Assim como existe a tradução de nomes para IPs, tambem existe a tradução inversa, ou seja, de IPs para nomes. E é importantíssimo que o endereço IP do seu servidor de email possa ser traduzido de volta para o nome dele.
Servidores que não tem DNS reverso cadastrado e apontando de volta para ele mesmo normalmente não conseguem mandar email de forma consistente, pois a maior parte dos filtros já barra a conexão antes mesmo de receber a mensagem. Ou seja, o conteúdo nem mesmo é analisado.

Use um remetente consistente

O remetente é o nome e email que aparecem para quem recebe o email. Tente usar o mesmo para a campanha inteira. Colocar nomes e emails diferentes para cada email que sai é mais um indício de spam, pois spammers falsificam essas informações para tentar ocultar sua identidade. Coloque no remetente algo que deixe bem claro quem você é.

Publique registros SPF

O SPF é um framework que utiliza registros DNS para divulgar informações sobre permissão de envio de emails, e tem a intenção de combater o envio de emails falsificados.
Um registro SPF indica para o mundo quem tem permissão de mandar emails usando um domínio. E como quem tem controle sobre um domínio e seus registros é normalmente a organização detentora da marca, seria uma forma da organização dizer: “somente os servidores X, Y e Z podem mandar email usando minha marca”.
Todos os grandes provedores checam registros SPF, e um email que falhe nessa checagem já é mais um indicativo de possível falsificação de email.
Não vou colocar um tutorial sobre SPF nesse artigo, pois foge um pouco do escopo, mas para saber mais sobre a tecnologia, e como implementar, basta visitar o site http://www.openspf.org/. Existe tambem um ótimo assistente para geração do registro SPF para publicação no servidor DNS.

Assinaturas DomainKeys e DKIM

DomainKeys é uma tecnologia que usa criptografia para verificar o domínio de quem enviou a mensagem, e a integridade das mensagens. É usada principalmente pelo Yahoo!, e foi usada como base pelo IETF para o desenvolvimento do DKIM (DomainKeys Identified Mail), sucessor do DomainKeys.
A idéia é usar duas chaves, uma pública e uma privada. A chave privada fica guardada no servidor que faz o envio, e cada email é assinado digitalmente usando essa chave privada. A chave pública é disponibilizada via DNS, e qualquer um que receba um email assinado usando a DomainKeys e/ou DKIM pode verificar se a mensagem foi realmente enviada por um servidor autorizado, checando a assinatura através da chave pública.
Além disso, a assinatura garante também que a mensagem não foi modificada em trânsito, pois caso tenha sido modificada, a assinatura não vai conferir.
Embora o DKIM tenha vindo para ser o sucessor do DomainKeys, a maior parte dos grandes provedores checam as duas assinaturas, então não existe problema em assinar a mensagem duas vezes, pois ambas coexistem sem problema.

Lista de emails

Qualquer email que esteja na sua lista deve ter dado a permissão explícita para que você faça o envio de emails. Qualquer inscrição deve preferencialmente utilizar o mecanismo de “double opt-in”, ou seja, a pessoa coloca seu email em um formulário no seu site, você envia um email de confirmação com um link, e só adiciona a pessoa na sua lista após essa confirmação. Isso evita a adição de pessoas que não pediram para ser cadastradas, e com isso, evita reclamações.

Manutenção da lista

A regra número 1 é bem simples: respeite seus usuários. Se alguem não quer mais receber seus emails, não envie mais. Vai ser um usuário a menos gerando reclamações. Não vale a pena forçar seus emails goela abaixo dos usuários.
Todo email que você enviar deve conter um link para que o usuário possa sair da lista. Esse link deve funcionar, de preferência de forma automática e imediata.
Além disso, qualquer email que gere um “bounce” deve ser removido da lista, caso seja um erro permanente (por exemplo, “email inexistente”). Erros não permanentes (por exemplo, “caixa postal cheia”) devem ser removidos caso persistam por alguns envios.

Formato do email

Todas as mensagens devem seguir o padrão descrito na RFC 5322. Esse padrão é o sucessor da RFC 2822, que por sua vez é o sucessor da RFC 822. Esse padrão descreve o formato que um email deve seguir.
Caso envie emails em HTML, siga os padrões descritos pelo W3C.
Adicione sempre o cabeçalho “Precedence: bulk”, para sinalizar ao servidor de destino de que seu email faz parte de um envio em massa. Isso ajuda o servidor que recebe a priorizar melhor a entrega das mensagens, caso esteja sobrecarregado.
O assunto do email deve ser relevante, e ter relação com o conteúdo da mensagem.

O email em si

Evite uso de palavras chaves normalmente associadas a spam. Evite o uso de pontuação em excesso, como por exemplo, muitas exclamações.
Caso esteja enviando email em HTML, não esqueça de fazer tambem uma versão em texto puro, para quem não lê HTML. Por exemplo, muitos dispositivos móveis não lêem emails em HTML. Além disso, emails somente em HTML muitas vezes ganham uma pontuação nos sistemas antispam.
No HTML, evite colocar somente imagens. Tente manter uma boa proporção de texto para imagem. Siga os padrões da W3C, colocando o atributo “alt” nas imagens. Além disso, lembre-se que por padrão, os grandes provedores não exibem imagens externas por padrão, então caso seu email contenha somente imagens, existe uma boa probabilidade do email não ser lido.

Blacklists e whitelists

Tente fazer monitoramento constante nas várias listas negras existentes na Internet. Caso seu servidor seja listado, começará a ter problemas de entrega, pois qualquer servidor configurado para checar a lista negra irá barrar sua conexão. Tente trabalhar de forma a evitar a entrada nessas listas, e caso entre, tente corrigir o problema e providenciar a saída o mais rápido possível.
Assim como existem as listas negras, existem tambem listas brancas, de servidores que foram cuidadosamente verificados, e que fazem envio de email de forma responsável. A mais famosa é a certificação SenderScore da ReturnPath. Existe um custo, mas por sua vez, uma vez certificado, basta manter as boas práticas para conseguir melhores taxas de entrega para grandes provedores, como Hotmail e Yahoo!.

Conclusão

Resumindo: mandar emails para a Internet de forma consistente é um verdadeiro inferno hoje em dia. E acredite, você certamente terá problema de entregas uma hora ou outra. Não tem muito pra onde fugir. Mas seguindo essas regras (simples?), dá pra se manter o nível de rejeição em um patamar aceitável.
Alguem tem alguma dica extra? Postem nos comentários!

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3 comentários em “Envio de emails em massa”

  1. Optimização de site | Jonathan Dos Santos Web design - Blog comentou:

    [...] Envio de emails em massa [...]

  2. Walfredo de Sá comentou:

    Uma pessoa totalmente contra spam não devia postar este tipo de coisa… isto é dar margem para amanhã você ser traído pelo seu post e passar a receber diversos emaisl por dia.

    imagina se fulaninho cria 10 contas do gmail e passa a te enviar diversos emails por dia, cada dia 1 email d euma conta diferente com assuntos diferentes…

    um post destes eh dar a cara para bater!

    na minha opinião se tiver o link para clicar e para de receber os emails já resolve meu caso…

    fica aí a minha opinião e espero não ser barrado no controle dos comentários rs

  3. Bruno Lustosa comentou:

    Oi, Walfredo, agradeço pelo seu comentário!
    Acredito que o conhecimento pode ser usado tanto para o bem, quanto para o mal. Como disse no post, existem muitos casos legítimos onde se faz necessário o envio de emails em massa. São essas pessoas/empresas que pretendo ajudar.
    Spammers vão existir enquanto valer a pena economicamente. Alem disso, muitas das técnicas que eu listei, os spammers não tem como utilizar (por exemplo, autenticação com criptografia, e naturalmente, depois de algum tempo usando os mesmos IPs, vão ficar com reputação tão ruim que não serão mais aceitos. É por isso que eles usam computadores domésticos infectados em sua maioria.
    O link para clicar e parar de receber emails normalmente é utilizado pelos spammers pra validar que seu email é válido e tem alguem lendo. Clicar no link é dizer pro spammer: “oi, esse email é válido, eu li, e não quero mais receber”. E claro que a tendência é você passar a receber mais e mais emails. Por isso que a recomendação geral é não clicar nesses links, a menos que o email seja de uma fonte “confiável”.
    Abraço!


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